Vencedores do PREMIO DE INCENTIVO A PESQUISA EM NUTRIÇÃO CLÍNICA ELIETE SALOMON TUDISCO 1o Lugar
Barbara Fonseca de Oliveira
José Augusto Nogueira Machado
SUPLEMENTAÇÃO COM VITAMINAS, UM FATOR COMPLICADOR OU BENÉFICO PARA PORTADORES DE DIABETES TIPO 1?
Introdução: Todas as formas de diabetes são caracterizadas por hiperglicemia crônica e desenvolvimento de outras patologias. Neste contexto, a alteração do metabolismo da glicose, é responsável por modificações no padrão oxidante/anti-oxidante celular e plasmático. Para neutralizar os radicais livres, existem mecanismos de proteção conhecidos como defesas anti-oxidantes. A Vitamina C, alfa-tocoferol e beta-caroteno exercem esse poder protetor. Entretanto, sugere-se que as três vitaminas devem atuar em conjunto, pois possuem atividades que se complementam. Contudo, deve-se ter cautela no uso indiscriminado de vitaminas, pois estudos mostraram que vitaminas como a E e beta caroteno suplementadas são agravantes de mortalidade.
Objetivo: Assim, o objetivo de nosso trabalho foi tentar detectar se a suplementação com o complexo vitamínico (ácido ascórbico, alfa-tocoferol e beta-caroteno) exerce um efeito anti-oxidante (benéfico) ou pro-oxidante (complicador) para pacientes diabéticos tipo 1 a nível plasmático e celular.
Delineamento: Estudo quantitativo experimental e prospectivo das alterações metabólicas a nível celular (in vitro).
Metodologia: Doadores diabéticos tipo 1 (D) ou não diabéticos (ND), de 20-70 anos e de ambos os sexos foram divididos em dois grupos. Células monucleares (1x106) foram incubadas com volumes do complexo vitamínico, a saber: [A] Ácido ascórbico=2,82μg, Alpha-tocoferol=3,45μg Beta Caroteno =0,09μg; [B] Ácido ascórbico=5,64μg, Alpha-tocoferol=6,89μg, Beta Caroteno=0,17μg; [C]Ácido ascórbico=14,09μg, Alpha-tocoferol=17,23μg, Beta Caroteno=0,43μg; [D] Ácido ascórbico=28,18μg, Alpha-tocoferol=34,46μg, Beta Caroteno=0,86μg. Estas concentrações correspondem a ingestão oral de 1, 2, 5 e 10 gramas de Ac. ascórbico diários, respectivamente. Para avaliar o estresse oxidativo foi usado o ensaio de quimioluminescência dependente de luminol e o ensaio de MTT para avaliar o poder redutor plasmático. Dosagens de albumina e ácido úrico foram realizadas.
Resultados: Nossos resultados mostraram que quando células mononucleares (ND) e (D) são incubadas com as concentrações [A] e [B], ocorre uma inibição significativa (p<0,05), pelo teste de Man Whitney, da produção de radicais livres gerando um efeito anti-oxidante. Entretanto, quando as concentrações [C] e [D] são utilizadas, ocorre uma inversão da capacidade inibitória altamente significativa (p<0,05), nas células (ND) e (D), exceto na faixa etária de 60-79 anos de diabéticos. Neste grupo, a concentração [C] permanece antioxidante, mas, a concentração [D], torna-se pro-oxidante. O poder redutor no plasma aumenta até a concentração [D], reduzindo significativamente com maior concentração em ambos os grupos. Os valores de albumina e ácido úrico encontraram-se normais nos dois grupos.
Conclusão: Assim, nossos resultados mostraram que as vitaminas citadas, em conjunto, podem exercer um efeito anti-oxidante ou pro-oxidante, dependendo das concentrações ingeridas. Assim, em excesso, as vitaminas produzem um estresse oxidativo que se torna fator complicador do quadro de diabetes devido à produção exacerbada de moléculas oxidantes produzidas nessa patologia. Este quadro se tornou mais evidente pela necessidade dos idosos diabéticos em ter uma carga maior do complexo vitamínico para exercer o efeito anti-oxidante. Mas, nossos resultados mostraram ainda, que mesmo em patologias que o estresse oxidativo é grande, deve-se ter cuidado na avaliação do paciente, pois a suplementação indiscriminada pode agravar o quadro metabólico tanto de pessoas com diabetes como também sadias.
Palavras chave: Células mononucleares, estresse oxidativo e diabetes tipo 1.
DIMINUIÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO NA CIRROSE BILIAR OBSTRUTIVA APÓS SUPLEMENTAÇÃO DE UMA FORMA HIDROMISCÍVIL DE VITAMINA E-TPGS - ESTUDO EXPERIMENTAL EM RATOS JOVENS
Introdução: A colestase obstrutiva crônica por ligadura e ressecção do ducto biliar em ratos jovens é freqüentemente utilizada como modelo experimental de Atresia Biliar. Durante a colestase ocorre deficiência de vitamina E por má absorção decorrente da ausência de bile no intestino, sua deficiência acentua o estresse oxidativo que é um dos mecanismos da lesão hepática da colestase. Delineamento: Estudo experimental em ratos jovens. Objetivo: Testar o efeito da vitamina E-TPGS hidromiscível, e portanto absorvível na colestase, sobre o estresse oxidativo e conseqüente diminuição da lesão hepática. Métodos: Quarenta ratos machos da raça Wister com 21 dias de vida (P21) foram divididos em 4 grupos de 10 animais e submetidos a um dos seguintes tratamentos: 1) LA-ligadura e ressecção do ducto biliar comum e administração diária de água, por gavagem, num volume de 0,02ml por grama de peso do animal; 2) LE- Ligadura e ressecção do ducto biliar comum e administração diária, por gavagem, de 25UI/kg num volume de 0,02ml de vitamina E TPGS por grama de peso do animal de uma solução a 20% de vitamina E TPGS; 3) SA-operação simulada e administração diária de água, por gavagem, num volume de 0,02ml por grama de peso do animal; 4) SE-operação simulada e administração diária, por gavagem, de 25UI/kg num volume de 0,02ml de vitamina E TPGS por grama de peso do animal de uma solução a 20% de vitamina E TPGS. No P48, foram submetidos ao teste do tempo de sono após pentobarbital. No P49, foram sacrificados e colhido sangue para detreminação das concentrações séricas de albumina, globulinas totais, vitamina A e E, atividade sérica das aminotransferases (ALT e AST),. Também foi analisada em cortes histológicos do fígado a intensidade de fibrose, de proliferação ductal, de necrose, de esteatose, de degeneração hidrópica, de inflamação e freqüência de mitoses. Os efeitos da colestase, da vitamina E TPGS e suas interações foram testados pelo ANOVA com dois fatores, e comparações múltiplas pareadas foram realizadas pelo teste de S.N.K. Nível de significância foi de p<0,05. Resultados: A vitamina E TPGS atenuou a diminuição dos níveis séricos de albumina, de vitamina A e E. Encurtou o prolongamento do tempo de sono causado pela colestase. Atenuou o aumento da atividade da Alt, dos níveis séricos de globulinas. Acentuou o aumento da degeneração hidrópica e inflamação. Atenuou a intensidade de fibrose, necrose e diminuiu o número de áreas de mitoses. Na ausência de colestase a vitamina E aumentou os níveis séricos de albumina, de vitamina A e E, o tempo de sono, os níveis séricos de globulinas e a atividade sérica de Alt. Conclusão: A vitamina E-TPGS pode ser utilizada na colestase obstrutiva devido sua característica hidrofílica e apresenta efeito hepatoprotetor, visto pela diminuição das lesões hepáticas, provavelmente pela diminuição do estresse oxidativo. Portanto, a suplementação de vitamina E-TPGS pode ser uma medida efetiva no tratamento da colestase do recém-nascido e do lactente jovem.
Introdução: O paciente grande queimado sofre maior estresse metabólico, e nos últimos anos tem ocorrido queda da mortalidade destes pacientes devido principalmente a uma melhor abordagem multiprofissional que envolve os avanços na reposição volêmica, nos controle de infecção e no suporte nutricional agressivo.
A falta do suporte nutricional adequado pode contribuir para o aumento da morbimortalidade desta afecção ao potencializar os riscos infecciosos, deprimir a taxa de cicatrização e alterar as funções celulares.
Objetivo: Mostrar a eficácia da terapia nutricional (TN) precoce no paciente queimado grave, a minimização dos efeitos catabólicos, e a recuperação do estado nutricional (EN).
Delineamento: É um estudo de ensaio clinico, qualitativo, retrospectivo, observacional, descritivo.
Métodos: Paciente de 33 anos, sexo masculino, raça branca, hospitalizado na unidade de terapia intensiva de queimados do Hospital Estadual Bauru por 214 dias, com diagnóstico de queimadura por fogo de 2º e 3º graus com 59,25% da superfície corporal queimada, além de lesão inalatória. Chegou intubado e sedado, evoluiu com necessidade de droga vasoativa, distúrbio de coagulação, derrame pleural, alteração da função renal, anasarca e ausência de ruído hidro-aéreo. A avaliação do EN foi realizada em 48 horas após admissão hospitalar e refeita semanalmente pela aferição do peso e estatura, juntamente com exames laboratoriais. A classificação do EN foi obtida pela interpretação do índice de massa corporal (IMC) da OMS (1997), e pelos exames laboratoriais de albumina e linfócito (Blackburn ,1997).
Para o cálculo nutricional no momento da internação foi utilizado o peso habitual, pela impossibilidade de aferi-lo em balança, sendo aferido posteriormente na melhora clínica. Devido a instabilidade hemodinâmica a conduta dietoterápica foi instituída no 4° dia, por sonda nasoenteral exclusiva (48 calorias/quilo/dia – cal/kg/dia e 2,86 gramas (g) proteína/dia – ptn/kg/dia). Evoluiu com muitas complicações na internação: infecções bacterianas recorrentes, perda de peso intensa, quadro de vômitos e epigastralgia. No 53° dia houve necessidade de iniciar nutrição parenteral (NP com 35 cal/kg/dia e 3g ptn/kg/dia). No 62° dia retorno da dieta enteral (61 cal/kg/dia e 3,7g ptn/kg/dia), e desmame da NP. No 95° dia introdução de dieta via oral e sonda e no 155° dia mantida dieta via oral exclusiva e suplementação específica (55 cal/kg/dia e 2,7g ptn/kg/dia). A dieta foi adequada conforme as recomendações nutricionais para paciente queimado, segundo ESPEN (2007), Curreri (1974).
Resultados e Discussões:. O diagnóstico nutricional inicial foi de desnutrição leve pela depleção de albumina e linfócitos, e após 34° dia foi de desnutrição grave pelo IMC e laboratoriais, permanecendo por vários meses devido a várias complicações clinicas e permanente estado inflamatório, levando a um catabolismo intenso. No 158º dia, ocorreu melhora do quadro infeccioso, diminuição da fase aguda, iniciando a fase de recuperação e melhora do EN para eutrofia, com ganho ponderal e exames laboratoriais dentro dos parâmetros de normalidade.
Conclusão: O estado hipercatabólico aumentou significativamente o risco de infecções, depleção de massa magra e defesa imunológica. A avaliação nutricional precoce com intervenção imediata e adequada foi de suma importância para a melhora do EN, contribuindo para uma efetiva resposta clínica e cirúrgica durante o período de internação.
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Grupo Humana Alimentar lança Guia Prático de Fitoterapia em Nutrição A fitoterapia é um tratamento caracterizado pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas.
As matérias-primas dos fitoterápicos são plantas (folhas, caule, flores, raízes ou frutos) com efeitos farmacológicos medicinais, alimentícios, coadjuvantes técnicos ou cosméticos.
Em 2007, uma resolução do Conselho Federal de Nutrição regulamentou a prescrição fitorerápica pelo nutricionista de plantas in natura frescas, ou como droga vegetal nas suas diferentes formas farmacêuticas.
Devido à importância do assunto, no dia 16 de outubro, o Grupo Humana Alimentar lança o Guia Prático de Fitoterapia em Nutrição. O livro de autoria da nutricionista e farmacêutica Eliane Petean Arena - mestre em Pediatria e especialista em administração hospitalar, saúde pública e nutrição clínica, traz orientações para a manipulação de fitoterápicos em cápsulas e saches, chás, sucos e tinturas para 46 doenças e problemas; entre eles: Acne/espinhas, alergia, ansiedade, bronquite, celulite, diabetes, enxaqueca, estresse físico e mental, hipertensão, impotência sexual, obesidade, osteoporose, reumatismo, varizes, entre outros.
O lançamento do Guia será realizado junto com o Primeiro Fórum Humana Alimentar de Atualidades em Nutrição na Prática Clínica, de 16 a 18 de outubro no Seminário Santo Antônio, em Agudos. Serão 3 dias de cursos e conferências nos quais profissionais, pesquisadores e estudantes de nutrição poderão aprimorar e compartilhar seus conhecimentos.
Outras informações pelo telefone: (14) 3366=6900
Colaboração da nossa palestrante Dra. Juliana Geraix
A avaliação nutricional é definida como sendo uma abordagem completa, para determinar o estado nutricional, usando histórico clínico, social, nutricional, uso de medicamentos e suas interações, exame físico, medidas antropométricas, dados laboratorias, sinais e sintomas. É importante ressaltar, que não há indicador ideal, que isoladamente possibilite a avaliação do estado nutricional. Para tanto, é necessária a padronização de técnicas e a utilização de protocolos de avaliação.
Juliana Geraix
Nutricionista
ROSANA MARIA CARDOSO
Rua Cônego Eugenio Leite, 568 # 202
Pinheiros – São Paulo – SP
(xx11) 3477-1630
rosana_cardoso@yahoo.com
Nutricionista, graduada pela Universidade Federal de Goiás – UFG Goiânia - GO. Especialista em Nutrição em Saúde Pública pela UNIFESP – Escola Paulista de Medicina, em Nutrição Clínica pela ASBRAN e pós-graduanda em Nutrição Funcional pela VP Consultoria Nutricional.
Possui 17 anos de experiência em nutrição clínica, atuando como nutricionista clínica do Centro de Terapia Intensiva e do Departamento de Terapia Substitutiva da Função Renal do Hospital Israelita Albert Einstein. Atualmente é nutricionista do Centro de Diálise e Unidade de Transplante Renal do Hospital Israelita Albert Einstein e atua em nutrição clínica em clínica de cardiologia, cirurgia plástica e dermatologia.
Como estágios internacionais extra curriculares visitou os centros:
Bassett Healthcare, Cooperstown, New York, USA (Afiliado
à Columbia University)
Período: Janeiro 1996 – Setembro 1996
Estágio Multidisciplinar em Nutrição. Hospital Escola com 180 leitos. Atividades incluíam: atendimento a pacientes internados e ambulatoriais nas seguintes áreas: Hemodiálise, Diálise peritoneal, Diabetes, Cardiologia Preventiva, Câncer, SIDA, Obesidade, Terapia Nutricional Enteral e Parenteral, UTI. Também foram abordados: Pesquisa, Nutrição em Saúde Pública Participação em Programa Educacional para Controle e Perda de Peso e Alimentação Institucional.
Harbor-UCLA Medical Center, Los Angeles, California, USA
UCLA - 200 Medical Center
UCLA - VA Medical Center
University of Southern Califórnia
Período: 2 a 31 de outubro de 2005
Programa de treinamento com Joel D. Kopple, M.D. acompanhamento de pacientes em estágio final da doença renal, assim como participação em conferências e Journal Club.
A obesidade mórbida é conseqüência de vários desequilíbrios funcionais que ocorrem no organismo e, em alguns casos, existe a necessidade da intervenção pela cirurgia bariátrica. Mas vale ressaltar que a cirurgia, independente da técnica adotada é somente uma restrição física, e que por si só, não promove uma real e efetiva mudança, existindo a necessidade da intervenção nutricional individualizada e adequada, visando mudanças nos hábitos alimentares e comportamentais do paciente.
O acompanhamento nutricional deve ter como objetivo uma nutrição celular adequada, que vai além das recomendações como consistência da dieta, necessidades de mastigação e valor calórico. É preciso mudar o processo que desenvolveu a obesidade, e não esperar apenas que a cirurgia resolva.
Este acompanhamento nutricional deve iniciar-se antes da cirurgia, pois é determinante para detectar erros alimentares existentes, carências nutricionais, e esclarecer o papel da nutrição na prevenção de doenças e não simplesmente com a visão dos alimentos como fonte de calorias, buscando um equilíbrio das funções físicas, mentais e emocionais deste paciente.
Hotelaria Hospitalar é um conceito que merece ser repensado, uma vez que é preciso acolher, propiciar conforto, agregar serviços, etc. Qualidade no atendimento e humanização no atendimento hospitalar são termos atuais e importantes, utilizados como ferramentas nos estabelecimentos de saúde brasileiros na busca por melhorias. É preciso não associa-lo simplesmente a luxo, afinal ele pode ser adaptado a qualquer instituição de saúde, inclusive gerador de receitas às mesmas.